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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Boqueirão e a Gruta: Origem dos primeiros relatos


Por: João Tavares Calixto Júnior.

A passagem da Comissão Científica de Exploração pela Vila de São Vicente de Lavras

   Acampamento da Comissão Científica de Exploração retratado por José Reis de Carvalho, naturalista e pintor oficial da expedição em 1859 (Acervo do Museu Histórico Nacional)


     Pôs-se a caminho, então, a célebre Comissão Científica de Exploração do Rio de Janeiro ao Siará, às 11 da manhã do dia 26 de janeiro de 1859 a bordo do vapor Tocantins, contratado pelo governo de Pedro II por 15 contos de réis. O maior grupo de intelectuais até então visitante das terras da província cearense, chega a 4 de fevereiro em Fortaleza, cidadela parva com cerca de 15 mil habitantes e 800 casas de tijolo. Ovacionando os científicos, como assim ficaram conhecidos, a multidão curiosa e o governo da época (João Silveira de Sousa era o presidente da província). A comissão, que no Ceará se fez presente por mais de dois anos, foi organizada em cinco seções e composta foi a priori, por Francisco Freire Allemão, encarregado da seção botânica, Guilherme Capanema (Geológica e Mineralógica), Manuel Ferreira Lagos (Zoológica), Giácomo Gabaglia (Astronômica e Geográfica) e Gonçalves Dias (Etnográfica e Narrativa da viagem).

     Era grandioso o tentame. Surreal, utópico, talvez. A maioria assim o achava, principalmente os populares, que tipicamente obedecendo aos costumes provincianos da época, comungavam com a ideia da loucura de se adentrar às matas interioranas quase que desconhecidas ainda. Os visitantes, porém, carregavam a crença dos conquistadores. Traziam a esperança e o entusiasmo na bagagem, objetivando trazer, ao final da expedição, boas novas aos que lhes investiram.

      Depois de seis meses na capital, partiu-se, na quinzena segunda de agosto, a comissão ao interior do Ceará. Era já a época de cresta, e a mata branca e seca fazia jus ao nome dado pelos tupis. Dividiu-se o conluio em três turmas: I - Seções Botânica e Zoológica; II - Seções Geológica e Etnográfica; e III: Seções Astronômica e Geográfica. Pactuou-se o reencontro em Crato, para assim, se refazerem os planos de continuidade da expedição, e ainda para merecido descanso, além de balanço dos resultados. Este evento aconteceu em janeiro de 1860 e contou menos com a presença de Gabaglia, que pela natureza dos trabalhos, não podia apressar-se.


A estada em Lavras da Mangabeira




     Durante a viagem, que edificara um pensamento intuitivo nos comissionários como um verdadeiro sonho áureo-argênteo, se fez a realidade crua a fincar sua presença perante os olhos dos grupais. Eram indícios pobres de ouro em alguns lugares, e quase nada em outros. O Ceará não tinha tanto do metal precioso quanto se iludidamente lhes era julgado.


   Este sonho, conquanto, pode vir a ser considerado como o embrião de toda uma genealogia folclórica fulgurada em invencionices sobre a gruta do Boqueirão de Lavras, resistentes ainda nos dias de hoje. Na época em que a expedição preparava-se na capital para adentrar ao interior, via-se a distribuição e compartilhamento do sonho que opulentou os sertões de jazidas inacabáveis. Essa crença na riqueza mineral séssil supostamente duradoura nessas terras, fez com que o imaginário popular se expandisse e estórias das mais vãs às mais persistentes, se encravaram e enraizaram por poder oferecer riqueza repentina aos que se aventuravam. Estórias como a do carneiro encantado de ouro, baixelas de prata, e sala de luxo atapetada existentes no interior da caverna, podem ser reflexos da semeadura desses tesouros ocultos levados ao interior como um anemocórico.

     Chega, portanto, a Comissão à Vila de São Vicente das Lavras da Mangabeira por volta do dia 21 de novembro de 1860, e vinda de Icó, arranchara-se no local por 12 dias. Durante este período, que se deu até 03 de dezembro, onde partiram em busca do Cariri, os doutores apontaram idiossincrasias. Resquícios foram observados, da época da exploração do ouro que, por carta régia de 12 de setembro de 1758, acabara com tal exploração, por ser já comprovadamente desvantajosa ao Estado e ao erário. "(...) pouco além da Vila de Lavras existem ainda as antigas escavações donde se tirava ouro, porém em pequena quantidade; posteriormente apareceram dois ingleses que formaram uma companhia e começaram a lavrar denovo, mas desapareceram repentinamente e a melhor mina que tinham descoberto foram as algibeiras dos acionaistas."

     Apontou-se o lugar como grande produtor de fumo (8000 arrobas/ano), mais notadamente, além de outras culturas. Voltando às idiossincrasias, a comissão chega ao Boqueirão. É este o momento em que pela primeira vez na história, se escreve, se estuda ou se requer do monumento natural, cunho científico. Trata-se do primeiro registro sobre o Boqueirão de Lavras. E sua gruta também. O Poeta Gonçalves Dias, alcandorado, assim descreve conjuntamente a passagem: "(...) demoramo-nos no Boqueirão, ponto notável por ter ali o Rio Salgado solapado um travessão de rocha silicosa, que corria perpendicular ao rio e servia de dique; com o tempo foram desabando aos poucos os fragmentos desagregados por numerosas fendas verticais com coisa de 120 palmos de altura; e em meia altura na direção das camadas desapegaram-se lascas, que pela decomposição eram esbroadas e despeadas no rio pelas águas infiltradas na rocha, do que resultou uma caverna que se vai estreitando para dentro com 300 palmos de profundidade; nos dois terços do seu comprimento, apagam-se as luzes; para poder penetrar até o fundo ascendeu-se uma fogueira com capim seco (...)"

    Contou-se ainda, sobre a gruta, que seria aproveitada em qualquer outro lugar para a cura de moléstias, pelo suor infalível que se fazia gotejar em quem nela penetrasse. Comentou-se sobre as miriadas de morcegos formando um tapete nas paredes e nos tetos da gruta...

Ver também em: lavrasce.blogspot.com


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